SOBRE RESPIRAR DA TERRA

Em Respirar da Terra, Adosa aproxima três matérias distintas num pequeno ecossistema em equilíbrio. Sobre a superfície rugosa da cortiça, matéria ancestral retirada do tronco, repousa uma forma de vidro soprado, transparente e irregular, semelhante a uma gota de água suspensa no instante da criação. Entre as fissuras da cortiça, o musgo introduz a presença do vivo, evocando a nossa ligação instintiva à natureza e aos organismos que crescem, respiram e se transformam. O vidro capta a luz, a cortiça guarda a memória da terra e o musgo traz renovação, criando um microcosmo onde matéria e vida se entrelaçam.

Respirar da Terra é, assim, uma reflexão sobre a nossa pertença ao mundo natural: não como algo que existe para nós, mas como parte de nós, onde reconhecemos o eco da nossa própria origem.