
SOBRE PULMÃO MINERAL
A rocha, atravessada por dois vazios, abre-se como um corpo antigo que procura ar. De um desses orifícios emerge uma bolha de vidro, frágil e suspensa, como se a matéria pesada tivesse, por um instante, aprendido a respirar. Não se trata de ornamento, mas de um gesto mínimo de sobrevivência: o sopro inscrito na pedra, a leveza alojada no peso. Entre o interior e o exterior, entre o sólido e o transitório, a obra constrói um pulmão mineral, onde a matéria respira sem nunca deixar de ser pedra.
PULMÃO MINERAL, 2024. Rocha calcária da Serra de Santo António e vidro soprado. 28x22x21cm.
